domingo, 22 de janeiro de 2012

UM POUCO DO QUE ME TORNEI ATÉ AQUI...(Parte 2)

Quanto mais se vive e se aprende, mais se muda, é uma constatação básica é assim que se cresce e eu estou crescendo sinto fácil e escrevo, escrevo coisas que até podem soar estranhas, ou não. O importante me parece é muitas vezes se perdoar e perdoar coisas que simplesmente acontecem, simples assim, afinal, percebo que sou o meu caminho, tudo o que vivi faz parte de mim, do que sou.
A vida é um fluxo, e nada é tão ruim que não tenha um lado de positivo, por menor que seja . Amizades se fortalecem ou se enfraquecem. Pessoas queridas se vão e outras chegam. É preciso saber curtir de todas estas coisas enquanto as temos e deixá-las ir para que novas coisas venham.
Nossa! Tantas pessoas passam por nossa vida, histórias que se cruzam e caminham lado a lado por breves momentos, no fim a vida toda parece tanto com um breve momento e lembrar é uma forma de reviver momentos. Viver feliz é um talento, mas deve ser um saco ser sempre feliz. A gente deve acabar enjoando da felicidade, que é tão importante justamente porque precisa de esforço para ser alcançada. Não conquistei tudo o que quero. Não viajei para todos os lugares aos quais desejo ir. Não conheci todos que eu queria conhecer nem fiquei com todo mundo que queria ficar e também não me despedi de todo mundo que queria ter me despedido. Os valores dados para os momentos da vida mudam tanto com o tempo! Por exemplo, quando eu era pequeno o importante era um doce ou coisa assim e hoje fico pensando no meu pai que perdi e queria muito ter tido um pouco mais de tempo com ele pra conversar e jogar conversa fora e discutir e sermos pai e filho, e um dia provavelmente vou querer ter mais tempo ao lado de alguém que terei uma ligação muito forte também e não terei todo esse tempo desejado.
Por isso valorizo o que eu tenho e amo os que me amam e agradeço os que me caçoaram e eventualmente vão caçoar (E também acho que rir de si próprio tem mais de positivo do que de negativo.), senão é perigoso eu me transformar no dono da razão e virar um chato.
Procuro guardar as lembranças, que me trazem de volta velhos amigos, que já foram parte crucial na minha vida e hoje são amigos de que me lembro com nostalgia. Mas existem alguns, mais preciosos, que guardamos para sempre. Porém, mesmo esses,quando seguem rumos diferentes, ficam na história e a memória nunca se apaga.
A vida é breve e longa ao mesmo tempo e é difícil e por isso necessita ser aproveitada da melhor forma possível, para tentar ser o mais útil possível dentro da própria história e nas histórias dos outros e tentar saber quem se é nessa jornada de auto-conhecimento, mesmo que aquilo que se é de verdade fique muito mais nas entrelinhas do que nas conclusões em si. (Carpe diem.)

"Ainda que busque no mundo exterior a permanência do prazer, preenchendo seu ser com distrações temporárias, como um pêndulo em momentos de alegria e tristeza, cedo ou tarde, descobrirá que a única coisa permanente é a impermanência de todas as coisas... Neste momento encontrarás a Eternidade, no desfrute da aceitação das coisas como elas são... Não no futuro, nem no passado, mas no Agora... Assim, Deus surgirá... não de fora... mas de dentro de ti..."

sábado, 14 de janeiro de 2012

UM POUCO DO QUE ME TORNEI ATÉ AQUI...(Parte 1)

Bom, falam por ai que quando se morre, ou melhor, quando se está à beira da morte a vida toda passa como num filme pela nossa mente e seria possível assistir a própria história. Quando morrer, queria reviver todos os momentos que marcaram a minha passagem por aqui e analisar do que fui capaz. Analisar mesmo, só isso, ver coisas que poderia ter feito melhor, cresci um tanto e fiquei um pouco mais interessado nas mudanças de comportamento ao longo da trajetória e, um tanto, menos ingênuo, ou pelo menos, no meu caso, mais parecido com o cara descrito na música “Noturno” do Fagner (Música excelente, diga-se de passagem). Sou um cara de paz, de boa, mas não um bocó, aquele tipo de pessoa que é “boazinha” com todo mundo, não gosto disso, esse tipo de comportamento me parece mais com um problema, uma fraqueza, do que com um benefício, pois a pessoa que tenta ser super legal com todo mundo normalmente é mais explorada do que qualquer outra coisa, o bonzinho demais anda de mãos dadas com o pateta. Não gosto e não sou o tipo de pessoa que passa por cima dos outros e das coisas, mas me posiciono, procuro dizer o que acredito ser o melhor e me manter aberto a críticas, isso significa não disfarçar a si mesmo por trás de máscaras de segredo, é, na verdade, um lugar em que se está em uma posição vulnerável e incômoda, uma exposição para toda e qualquer forma de crítica, comecei a adotar essa postura percebendo as relações do dia a dia e todas as brigas, mágoas, amarguras que parecem que vem sendo trazidas e passadas como um ensinamento (embora inconsciente) de geração para geração, é preciso sair desse círculo vicioso, resta, sendo assim, tentar criar, de alguma forma, uma reparação coletiva de erros, e a honestidade aparece como um caminho. Faz-se necessário em qualquer grupo de pessoas começar a desemaranhar as histórias das vidas, cheias de opressão, negligência e vergonha sob um prisma de amor e empatia, ser criativo, pois é a vida que está em jogo e conflitos antigos são parte da família, da escola do emprego a espera de que sejam desatados pelos atores do presente.
Procuro valorizar o sofisticado e o simples da vida. Algumas vezes caio e quebro a cara, poxa estou ai aprendendo, e muitas vezes as coisas não saem como o planejado. Mas a beleza é isso, é assim que se fica mais forte, mas é bom não ficar tão forte que nem se chore de alegria e nem se sonhe mais a noite.
Minhas decisões, por piores que possam parecer, têm boas possibilidades de dar certo, mas não sou tolo de acreditar que tudo seja sempre perfeito, a vida não me mostrou isso até hoje, nada é como uma luta do bem contra o mal simplesmente, isso não existe, sempre há mais do que dois lados. Por isso, arrisco com coração naquilo que acredito. Para viver mais intensamente, tentar ser um pouco mais denso, ser tudo o que sou de verdade. Estou escrevendo esse texto e estou sob influência de um livro que estou lendo atualmente, se chama “On the Road” do Jack Kerouac, esse livro meio que faz com que se afeiçoe a idéia de se perder (e assim se encontrar sob uma nova perspectiva), você se torna afinado com alguma coisa que, em última instância, está fora da linguagem – um rumor muito sutil de inteligência que é apenas sentido, em um caminho que leva ao âmago da existência, é parecido com uma sensação de perda do aconchego de distanciamento do lar, mas que ao mesmo tempo que assusta abre portas inimagináveis anteriormente e cria-se assim um momento que é como um ritual de passagem, por exemplo, como aqueles rituais que ocorrem em certas tribos indígenas em que a criança se torna adulta ao passar pelo desafio.
Ficar acomodado bem confortável deixando a vida passar é com certeza agonia para o espírito, no fim das contas, é importante, encontrar a beleza mesmo em um possível fracasso, pelo menos arriscando se ganha experiência, pois o contrário disso é apenas matar o que você é e perder aos poucos a identidade. Procuro mudar sempre, pra ser honesto comigo. Mudar de estilo, afinar a personalidade, mudar de opinião, mudar de comunicação, mudar de postura, mudar de sentimentos, para crescer, porque não? Eu estou aqui de peito aberto em pleno vôo, e pros meus abismos nunca vão faltar asas, estou certo disso, não quero envelhecer assistindo a vida feito bobo, com uma roupa cara e bacana e com um espírito velho, tacanho e cheio de preconceitos. E acredito sem querer ser muito radical, numa frase que ouvi de um jornalista famoso o Paulo Francis, a frase é a seguinte: “Qualquer pessoa inteligente é contraditória, só os burros é que não se contradizem” é obvio que não estou querendo chamar ninguém de burro e nem dizer que sou super inteligente, até porque a inteligência é algo que se adquiri com o tempo e estudo e reflexão e coisa e tal, mas, voltando ao assunto, acredito sim que a contradição é natural, afinal, quem se julga dono da verdade absoluta parece que não reflete muito, e ela é tão importante quanto à ação em si, é uma forma de agir, uma filosofia de vida, é procurar pensar profundamente a respeito de algum tema, é filosofar e como disse alguém: “Filosofar é um pensar responsável, em busca de tudo aquilo que nos torne mais humanos.”, meu refrão então é: reflexão e ímpeto!