Um turbilhão de pensamentos e emoções, que passam em minha mente, mas é como se pudesse ver tudo diante de mim.
Oh! Parece tão claro agora, eu sempre me portei tão arrogantemente perante as situações que vivi. Em que afinal eu servi para a sociedade? Não sei, me sinto agora como se tivesse sido apenas uma marionete, manipulado culturalmente, por canais de televisão, por propagandas, por tradições impostas pela família como se fossem a mais pura verdade.
Chego assim a várias conclusões.
Vivo dentro de uma bolha de ilusões mil. Fui ludibriado pelo canto da sereia, devia ter pedido que me amarrassem ao barco vida para ter alguma chance de resistir.
Vivo na realidade que está assentada em um arcabouço de histórias que foram sendo contadas e contadas de geração a geração, e se eu paro e penso em todas as informações vejo que muito do que trago de bagagem não faz sentido.
Todas as informações, absolutamente todas, são vindas de algum ponto no espaço-tempo que antecede o momento atual, é uma complexa teia de acontecimentos, que não tem necessariamente ligação entre si, mas que obrigatoriamente tem que fazer sentido dentro do meu raciocínio, pois é necessário viver em sociedade e se por algum motivo eu não me adaptar as regras impostas serei possivelmente marginalizado. Posso assim sofrer perseguições políticas, religiosas. Posso ter problema por ser estrangeiro em algum país, ou por ser migrante dentro do meu próprio país! São tantas as possibilidades de arranjar alguma confusão!
Agora, aqui, nesse momento decisivo da minha vida, me pergunto, por quê? Porque tanta confusão?
Neutrôns, átomos, Bethoven, inseticidas, racionalismo, prótons, aceleradores de partículas, capitalismo, neo-liberalismo, Bomba-atômica,Iluminismo, sistema solar, genuflexão, hóstia, Getúlio Vargas, egoísmo, sentimentalismo, crenças, sexo, sexo, religiosidade, Beatles, 2°Guerra mundial, 4,5 bilhões de anos, Shakespeare...
Sinto que tudo mudou! Um minúsculo asteróide em rota de colisão contra o sol!
Ah! Mas nada é tão simples assim, eu já vivi uma boa parte da vida pra saber que nada é tão simples, já senti verdadeiramente o amor de uma mulher, já salvei um amigo à beira da morte, já estive observando a natureza, já carreguei um filho nos meus braços e senti o quanto eu era importante para ele. Já errei sim, mas quem pode dizer que viveu uma vida sem erros, não, ninguém chega aqui com um manual de comportamento. Já toquei piano, e senti a música como sendo o ar que eu respirava. Já vivi a emoção ao ganhar , quando criança, uma bicicleta de meu pai.
E no fundo, no fundo nada parece fazer sentido. Atônito. Só posso estar atônito. Andando por becos escuros e solitários.
