"-Na realidade sou obrigado a admitir, devido a
observações sistemáticas diárias, que tenho dificuldades em organizar o tempo
do meu dia. Tarefas que calculo levariam apenas dez minutos na execução chegam a
demorar horas, e no momento que percebo já me atrasei demais para o próximo
evento, tendo que cancelar diversas outras atividades dessa forma. É um
problema essa situação e antes que se diga que sou um irresponsável, me adianto
e nego, pois, definitivamente, irresponsável garanto que não sou. Só a
preocupação em organizar meu dia é prova de que me importo com resultados que
possam, por minha culpa, atrapalhar os outros".
A entrevista ganhou por acidente um belo
complemento. A também romancista xxxxx diz nas páginas finais: “Quando você
retira todas as porcarias que ele fala, é possível extrair alguma coisa mais
profunda”.
É claro que o consagradíssimo escritor
de livros de autoajuda sentiu-se ofendidíssimo, ele então declarou em uma
revista semanal que (Sic) “a escritora em questão não tem cacife algum para
análises literárias mais apuradas” e que “seus livros são para leitura no
banheiro ou para quem sofre de insônia”, insinuando explicitamente que seus
livros servem muito bem como laxante ou sonífero.
Ela revoltadissima com tais declarações do (Sic)
”imbecil com uma caneta na mão” respondeu em um jornal de circulação diária que
”Esse esnobe não sabe escrever direito, e quando ninguém dava mais nada por
essa criatura medíocre ele vem querer brigar comigo, veja se pode! Para
conseguir ter divulgação, esse infame!”.
Foi
nesse ponto dos acontecimentos que uma apresentadora de TV de um programa digamos
“apelativo” resolveu chamar os dois para lavarem a roupa suja em horário nobre
e chamou também o jornalista que fez a pergunta que gerou o complemento que
terminou por causar toda a confusão.
O tal jornalista é daqueles tipos que visam ser
promovidos a todo custo e obter maiores salários para si, e como é de praxe
nesses sujeitos, há muito tempo descobriu uma peculiaridade humana, entre uma
boa noticia e uma má, a informação sairá da forma que mais atrai e a qual mais prestaremos
atenção, seguindo esse preceito conseguiu gerar tamanho estardalhaço com uma
simples matéria sobre literatura, o negócio era “fazer o circo pegar fogo”,
como ele mesmo falou no programa, aparentemente em um monumental ato falho, ou “lapso freudiano” como disse a escritora, ou
ainda “parapráxis” como retrucou o escritor, para não sair por baixo.
O fato é que
o jornalista terminou sendo o alvo da noite, e os dois inimigos declarados se
uniram para esculhambar o “SIC” "malandro jornalista".
