O rapaz contou todos os seus planos, com eles
seria possível preencher a vida inteira.
O amigo deitado no banco do passageiro
sentindo o vento contra seu rosto pálido ouvindo Engenheiros do Hawaii, apenas
murmurou: “Mas isso não é uma vida, é um fluxograma!” citando a famosa personagem
de Quino.
Rindo ele percebeu que estava seguindo uma
linha de raciocínio equivocada com um comentário concordou: “A comunicação torna
simples o complexo! Demorou, mas ouvi
uma verdade que foi suficiente para me convencer. Meus crimes são minhas
ilusões.” E se calou.
Assim seguiu o tempo inexoravelmente, dobrando as esquinas deste mundo
quadrado.
E isso tudo faz parte da linguagem poético-comercial.
E um dia, o rapaz foi visitar o amigo, e este teve
um momento de alumbramento, como se enxergasse uma luz no fim do túnel, como se
atingisse a superfície e conseguisse respirar. Houve, então, um comovente momento
de espantosa emoção seguido de um derradeiro olhar de extraordinária
intensidade.
Foi assim que o amigo partiu para o Oriente Eterno, como dizem por
ai, e disse como que para abaixarem-se as cortinas:“O
mundo não é uma escola, não é um laboratório e também não é uma prisão! A natureza não é um grande
relógio, não vamos confundir as coisas. Toda vez que tento me alcançar
para encontrar-me no tempo, eu não estou
lá! E nesse momento descobri o porquê,
pois não foi o tempo cronológico quem ditou as regras, foi o tempo subjetivo o
“Cairós”. Engraçado, no fim das contas a vida não é factual.”
