quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Eu não estou lá.



O rapaz contou todos os seus planos, com eles seria possível preencher a vida inteira.
O amigo deitado no banco do passageiro sentindo o vento contra seu rosto pálido ouvindo Engenheiros do Hawaii, apenas murmurou: “Mas isso não é uma vida, é um fluxograma!” citando a famosa personagem de Quino.
Rindo ele percebeu que estava seguindo uma linha de raciocínio equivocada com um comentário concordou: “A comunicação torna simples o complexo! Demorou, mas ouvi uma verdade que foi suficiente para me convencer. Meus crimes são minhas ilusões.” E se calou.
Assim seguiu o tempo inexoravelmente, dobrando as esquinas deste mundo quadrado.
E isso tudo faz parte da linguagem poético-comercial.
E um dia, o rapaz foi visitar o amigo, e este teve um momento de alumbramento, como se enxergasse uma luz no fim do túnel, como se atingisse a superfície e conseguisse respirar. Houve, então, um comovente momento de espantosa emoção seguido de um derradeiro olhar de extraordinária intensidade.
Foi assim que o amigo partiu para o Oriente Eterno, como dizem por ai, e disse como que para abaixarem-se as cortinas:“O mundo não é uma escola, não é um laboratório e também não é uma prisão! A natureza não é um grande relógio, não vamos confundir as coisas. Toda vez que tento me alcançar para encontrar-me  no tempo, eu não estou lá! E nesse momento descobri o porquê, pois não foi o tempo cronológico quem ditou as regras, foi o tempo subjetivo o “Cairós”. Engraçado, no fim das contas a vida não é factual.”

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