Eu me abismo.
Eu me abismo
no infinito das finitudes.
E
de repente estou diante de mim. Toda minha perplexidade volta à tona! Aquela
perplexidade que se tem diante do novo, da situação que desafia, que instiga a
mente a entender o que está acontecendo. O tempo passa e a rotina parece
demolir a habilidade de ficar estupefato, e assim se envelhece a olhos vistos,
ah, mas hoje foi diferente! O dia foi longo e cheio de acontecimentos! Minhas
certezas se transformaram e topei com a realidade. Chega de querer entender de
coisas que não me dizem respeito e eu não sei mesmo, nesse mundo governado pela
incerteza o único caminho possível é o da dúvida, é preciso idolatrar a dúvida.
Ou não.
É
interessante como consigo perceber a possibilidade de se tornar cada vez mais
refém de si mesmo e de toda a estrutura que a rotina produz. Lembro de um dia
quando ainda era um moleque, e ia caminhando pela rua no caminho da escola para
casa e um pensamento me ocorreu que alguns dias antes eu havia tido um dia que,
no meu ver de criança, havia sido absolutamente perfeito, é estranho, mas
depois desse dia, todos os outros dias havia algum momento que eu pensava
comigo mesmo - Puxa esse não foi um bom dia! É estranho, mas eu me atentava a
isso, dentre os 40 a 60 mil pensamentos que passam pelo cérebro em um dia, esse
sempre estava la e me chamava a atenção, acho que estabeleci algum tipo de
parâmetro para o que seria um dia perfeito e evidentemente era um exagero que
tive, me baseando numa lembrança de criança, puxa isso durou bastante tempo e
hoje me lembrei, é engraçado ver o quanto se muda com o tempo e o quanto se
aprende com as idas e vindas.
Existe
um eu que morreu, e um novo e jovial eu que renasce de dentro da história
anterior da vida. Seguir em frente e aceitar as mudanças da vida. É difícil
nessa vida “Fast-food” onde só o novo é aceito e totalmente descartável. Digo
difícil, pois as coisas passam tão rápido, tão perversamente rápido que não é
tão simples se dar conta do tempo.Esse tempo que é tão particular.
