domingo, 2 de junho de 2013

Enjambement desambientado (6)



Eu me abismo.
Eu me abismo no infinito das finitudes.
 


E de repente estou diante de mim. Toda minha perplexidade volta à tona! Aquela perplexidade que se tem diante do novo, da situação que desafia, que instiga a mente a entender o que está acontecendo. O tempo passa e a rotina parece demolir a habilidade de ficar estupefato, e assim se envelhece a olhos vistos, ah, mas hoje foi diferente! O dia foi longo e cheio de acontecimentos! Minhas certezas se transformaram e topei com a realidade. Chega de querer entender de coisas que não me dizem respeito e eu não sei mesmo, nesse mundo governado pela incerteza o único caminho possível é o da dúvida, é preciso idolatrar a dúvida. Ou não.

            É interessante como consigo perceber a possibilidade de se tornar cada vez mais refém de si mesmo e de toda a estrutura que a rotina produz. Lembro de um dia quando ainda era um moleque, e ia caminhando pela rua no caminho da escola para casa e um pensamento me ocorreu que alguns dias antes eu havia tido um dia que, no meu ver de criança, havia sido absolutamente perfeito, é estranho, mas depois desse dia, todos os outros dias havia algum momento que eu pensava comigo mesmo - Puxa esse não foi um bom dia! É estranho, mas eu me atentava a isso, dentre os 40 a 60 mil pensamentos que passam pelo cérebro em um dia, esse sempre estava la e me chamava a atenção, acho que estabeleci algum tipo de parâmetro para o que seria um dia perfeito e evidentemente era um exagero que tive, me baseando numa lembrança de criança, puxa isso durou bastante tempo e hoje me lembrei, é engraçado ver o quanto se muda com o tempo e o quanto se aprende com as idas e vindas.

Existe um eu que morreu, e um novo e jovial eu que renasce de dentro da história anterior da vida. Seguir em frente e aceitar as mudanças da vida. É difícil nessa vida “Fast-food” onde só o novo é aceito e totalmente descartável. Digo difícil, pois as coisas passam tão rápido, tão perversamente rápido que não é tão simples se dar conta do tempo.Esse tempo que é tão particular.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Enjambement desambientado (5)



Quanto vivi? E agora esse fluxo de consciência; me encontro no pretérito imperfeito do indicativo, que tão bem se ajusta as descrições que ganham a atualidade do presente quando trazidos à lembrança, são revividos pela mente.
            A escrita fica, aparentemente, desconexa, parece um filme cheio de cortes e flashbacks.
            Ao acordar tento me reconhecer. Sou um estranho nesta realidade, um forasteiro, e, sendo assim, o centro para onde convergem as ideias, preciso disso, ser como que um catalisador para entender o que acontece, ou não? Acreditei precisar me encontrar para sacramentar meu destino no oceano de inconsciência que me encontrava.
            É necessária atenção redobrada, pois o importante da cadeia de acontecimentos não é o desfecho em si, mas sim a linha de raciocínio que conduz toda a trama, ou seja, com que intenção ou intuição essa história esta acontecendo? Porque razão esta teia está sendo tecida. Quando pergunto intenção ou intuição é porque intenção tem alguma razão humana, algum conceito embutido, já a intuição é algo mais vago, algo um tanto além de simples explicações racionais, é algo não rotulável e um tanto transcendente.