sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Barco a vela

Estou esculpindo um sonho,

iluminado pelo sol da ousadia,

navegando no meu barco a vela

por esse mar de pedras e incertezas

chamado vida.

Existem tantas trilhas e tantas receitas,

tantos conselhos e dicas.

Mas a verdade brota de dentro da nossa própria alma.

Admirando o horizonte, me perguntando - o que é importante?

Banalidades, então, se misturam

com o infinito.

Milhões de pessoas que não deixam pegadas

vem me dizer como eu devo fazer para viver a minha vida.

Mas ninguém pode mudar o que há dentro de si.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fragmento

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco." G. Márquez

sábado, 25 de junho de 2011

O encontro marcado

Não quero dar uma aqui de pseudo-intelectual, não é minha intenção fazer uma análise mais aprofundada de livros ou coisa que o valha, mas gosto de escrever sobre algumas coisas que gostei.

“Je cherche em gémissant”

É dito pelas tantas por alguma personagem do livro, que pelo que sei é meio autobiográfico, do Fernando Sabino “O encontro marcado”, li em alguma crônica dele mesmo por sinal que para ser um escritor é necessário se revelar, é como se fosse um sacrifício necessário do oficio.

Ultimamente acredito que se alguém quiser me conhecer é só ler esse livro que vai ter uma boa imagem de mim, nem tanto pelo que julgo serem pontos positivos, mas sim pelos questionamentos em relação à percepção da vida, levemente confusa. Acho que por ter essa dose de confidências do escritor, naturalmente muitas pessoas vão se identificar com o Eduardo Marciano, o protagonista do livro, ele é uma personagem atemporal, carismático, cheio de dúvidas e anseios, ele se situa entre Ferris bueller e Holden Caulfield.

Sempre tentando escrever o seu romance. Ele ao longo do livro vai percebendo muita coisa, e assim se despindo do seu orgulho e se revestindo de coragem e um certo senso de liberdade, que é algo como uma ruptura com o lugar-comum, ou o marasmo, que a sua vida poderia seguir, sendo assim apenas um exemplo de bom-mocismo, ou coisa que o valha. E no fim, percebe-se que o caminho todo foi uma busca, e ele conseguiu nessa jornada um grande crescimento pessoal, só que isso não acontece de graça (“Je cherche em gémissant”).

Os momentos da juventude com o amigos são ricos em citações, admito que tive de pesquisar algumas coisas, como por exemplo nomes de autores, e a própria frase ai do começo do texto, mas explico, essas citações não soam mal, mas são sim devido a necessidade de se expressar, de se expressar profundamente aquilo que se quer dizer, fugindo de uma certa alienação reinante.

Vai ai um trecho:

Os dois visitantes se entreolharam, sem entender. Seu Marciano suspirou mais descansado.

-Surrealismo: a libertação dos impulsos do subconsciente em forma de arte. A vitória sobre a censura do consciente. Sonhos, Freud, psicanálise – essa história toda.

-E vocês... são surrealistas?

-Que pretendem, afinal?

-Não sabemos ainda. Pretendemos – e o jovem inclinou-se para a frente, juntando os dedos, olhar brilhante – não a libertação do nosso subconsciente em forma de arte, o que os surrealistas já fizeram e cansaram de fazer – vocês nunca ouviram falar em André Breton? Não, pelo jeito nunca ouviram. Bem, mas eu dizia: não a libertação dos impulsos do subconsciente de cada um, compreende? Mas o desencadeamento das forças comuns a todo homem, de toda a humanidade, sabe como é? Adormecidas, há séculos, pelas exigências da vida em sociedade. Subjugadas pelos preconceitos. A moral burguesa. As convenções sociais. O lugar-comum. Essa coisa toda. Uma espécie de subconsciente coletivo, de que Freud não pensou, nem ele, nem ninguém.

-Você pensa que Freud...- e o Dr. Lombardi pigarreou. Eduardo não o ouvia:

-Estudaram a psicologia das multidões mas se esqueceram de levar o estudo até as profundas do inferno, isto é, do subconsciente da humanidade. Agora, esse subconsciente é que virá a tona, enfim liberto, e será, belo, será terrível! Será o regime do terror, a própria loucura.

Parte 2 (das duas que selecionei):

-Hugo ontem vomitou sangue.

-Eu vi. Aquilo era sangue?

-Só podia ser.

Calaram-se, impressionados, ficaram pensando.

-Você acha que isso quer dizer...

-Não quer dizer nada. Isso acontece, o álcool costuma irritar a mucosa do estômago, pode ferir. Ele bebeu com estômago vazio. Não era hemoptise.

-E o doutor acha que devemos dizer a ele?

-Doutor é a mãe. Não, não diga nada, para que assustar o rapaz?

Em pouco chegava Hugo:

-Então a coisa ontem esteve feia, hein? Dei muito trabalho?

-Se deu. Mas o doutor aqui acha que você está fora de perigo. Sabia que Bouvard e Pécuchet estiveram lá em casa, hoje?

-Como foi a reunião dos três grandes?

-Papai chegou falando o diabo de você.

-Foi uma palhaçada. Mas não tem importância. Olhem: comunico-lhes, solenemente, que está fundado o terrorismo.

Base do novo movimento: preconizar e difundir o terror, de todas as maneiras, em todas as suas manifestações. O Terror nas letras, cujo protótipo seria a novela “Metamorfose”, de Kafka.

-Kafka era um terrorista. Incentivar todas as situações terroristas, estabelecer o pânico, lançar o terror.

-E a solução? – perguntou Mauro.

-A solução é a conduta católica – respondeu o amanuense Belmiro.

-A solução é o próprio problema, sabe como é? Não há solução. Imagino a seguinte cena: um congresso de sábios do mundo, que se reuniram para resolver o problema do problemas, o problema transcendental, o Problema , Tout-court.

-Tout-court. Vá à merda.

-Ah, tout-court. Merci.

-Pois bem: estão reunidos, os sábios, a postos para começar a trabalhar, encontrar a solução do problema, e o Presidente do Congresso dá por iniciada a sessão, anunciando que vai, enfim, dizer qual é o Problema que os reuniu. Faz uma pausa, e declara solenemente: “Meus senhores! O problema é o seguinte: Não há problema!

-E daí?

-Daí os sábios terem de resolver o problema da inexistência do problema. É o terror.

-Confesso que não entendo.

-Vocês não entendem porque são burros: no nosso caso, é a mesma coisa. Só que há o problema, o que não há é a solução. Logo, está solucionado.

-E qual é o problema?

-O problema é o terror.

-Ah!

Calaram-se, os três, e riram, deslumbrados à idéia de que agora sim, estavam completamente doidos – os pais tinham razão.

-Es una cosa terrible, la inteligência!

-Unamuno não era terrorista.

-Dê três exemplos de situação terrorista.

-Um grito na igreja, uma gargalhada no velório, um árabe no elevador.

-Muito brando. É o que se pode chamar, apenas, de “terrorismo cor-de-rosa”. O verdadeiro terrorismo é o absurdo mais terrível, por exemplo: O Inevitável aconteceu! Se considerarmos o aconteceu, aí, como substantivo e não como verbo.

-Precisávamos é de uma coisa para símbolo.

-A coisa – prosseguiu Eduardo: - A Coisa é o símbolo. Ninguém sabe o que é. Está em toda parte e não está em lugar nenhum. Assume todas as formas. Pode ser um sentimento, um objeto, uma cor – só que tem de ser uma coisa, isto é: um substantivo. Por isso concluímos, há pouco, que aconteceu não era verbo. Onde a Coisa estiver, aí estará o terror.

sábado, 11 de junho de 2011

Não, isso tudo não existe

Felicidade, tristeza, aflições e alegrias

Só restam as lembranças

Guardadas todas em uma mala

Mala onde estão todos os acontecimentos

Não, não existe nada além do gosto de ter vivido

Não importam os aplausos, ou os murmúrios maledicentes

É apenas uma escada que estou subindo ou descendo

Tanto faz, tanto me faz

Já faz tanto tempo, só o tempo, só no tempo

Já não sofro, já não me alegro

Fico feliz em estar aqui parado olhando tudo isso

Minha mala estava tão pesada por um tempo

Mas agora apenas faz muito tempo

Os campos verdejantes de outrora são imagens vivas

Junto com as ruas molhadas pela chuva

Os sonhos e as músicas até que agradam

Mas não me importo

Não me importo se agrado não me importo se sou ouvido

Não me importo se querem me ouvir, não me importo com as grandes tempestades

Nem com os desertos, nem mesmo com a psicologia por trás disso

Não, isso tudo não existe

sábado, 16 de abril de 2011

"Diário de um Cucaracha"


Por esses dias terminei de ler o livro “Diário de um Cucaracha” do Henfil, é um que tem uma baratona na capa. Cara essa barata é muito realista mesmo!

Mas voltando a idéia inicial, o livro, é engraçado na medida certa, crítico na medida certa e com algumas sacadas muito boas, é claro que tem lá seus pontos falhos, mas que só são perceptíveis agora, quase, vá lá, 40 anos depois, e é normal já que o cara tá expressando suas opiniões. Gostei do estilo despojado, o livro é composto das cartas que ele escrevia para amigos, para a mãe, o legal é que você meio que se sente vivendo o momento sabe, todas as descobertas (tanto boas quanto más) do Henfil nos EUA, e a barra que se enfrentava por aqui com a ditadura . Já comecei, por sinal, a ler “Henfil na China (Antes da Coca-cola)” e também estou gostando.


Conheci sua obra por acaso, e desde então pesquiso sobre seus cartuns, muito ricos e participativos socialmente, explico: são personagens ácidos, histórias críticas, não passam nem perto da alienação que me parece muitas vezes domina esse segmento artístico (Obviamente não só esse segmento), e o legal nos livros é que você percebe que o Henfil é um cara engajado mesmo, envolvido com questões políticas e tal, e preocupado em não vender sua arte, não banalizar colocando a cara de alguma personagem em camiseta, isso é legal, e é desse tipo de demonstração que sempre se precisa. De pessoas que se preocupem com o social sabe, e não só em enriquecer.

Separei dois trechos de cartas:

“Eu estava com um trabalho gigantesco pela frente: contar a mesma coisa para pelo menos 50 pessoas, pois mantenho correspondência com 25 pessoas no Brasil e fora, de maneira mais ou menos regular, uma loucura! E depois, quando voltasse, teria de contar para centenas de pessoas que me conhecem ou vão me conhecer e me cobrar. Apavorado com isso, decidi cortar o trabalho em um só. Escrever tudo e mandar mimeografar e mandar para os amigos. Mas ai eu pensei: pô, isto é uma denúncia de uma situação absolutamente desconhecida para muitos artistas e humoristas brasileiros, que ficam mal se agüentando nas calças para vir para cá. Tenho de dar uma avisada a esses doidos e tenho de aproveitar minha penetração para que possam realmente acreditar nisto. E quando é depoimento pessoal, as pessoas não só acreditam como sentem como sendo delas mesmas a experiência. E o meu trabalho sempre foi este e é assim que sei trabalhar. Me colocando pra fora e me expondo. Não sofro nada com isto, e tudo o que ganhei até hoje (amigos e amigos) foi nesta base. Minhas charges são assim expostas.” New York, 7 de Maio de 1975

“Taí por que foi tão fácil instalar, sem resistência, uma ditadura no Brasil. No país dos coitadinhos, todo mundo da um boi pra não entrar numa briga e uma boiada pra sair dela. Ainda curtimos esta fantasia eunuca de vitória moral...

Desconverso.

Olha, quando falei que a gente não tem compromisso com o Brasil, eu queria te chocar mesmo, pra melhor te abrir para o seguinte: você não é brasileiro, você é homem. Brasileiro é só raça. E homem é brasileiro, chinês, boliviano, e dinamarquês. Acho que todo homem pode realizar seus potenciais em qualquer parte do mundo. Inclusive que, na perspectiva de lutar só no Brasil, muitas coisas deixam de ser vistas e muita coisa acontece sem que a gente possa fazer nada, porque está preso ao crachá que nos botaram ao nascer.

Tô te pregando alienação, não, pelamor de Deus! Nem pregando o mundo multinacional, o xóping Center global, nunca! Prego o internacionalismo mental. Um cara com uma visão internacional tem mais facilidade inclusive de ver o seu compromisso com o Brasil.

Mas o que é o Brasil? Terras e homens. E homem é um treco internacional. Tem igualzinho em todas as terras da Terra. E ninguém tem o direito de ir para outras terras agredir o seu povo, assim como não tem o direito de agredir o povo desta nova terra. Meus sentimentos são parte da cultura dos habitantes de uma terra chamada Brasil. Me emociono com nossa música, com nosso jeito, com nossa comida, tudo. Mas me emociono com iguais músicas e jeitos e comidas e costumes de todas as partes do mundo.

Lute com tudo pela preservação cultural do povo brasileiro, mas lute com a mesma intensidade pela preservação também da cultura hindu, peruana, canadense. Penso assim. Não dividir os homens em times de futebol (ou países) e aí passar a torcer por um deles. Claro que a gente tem que jogar num time. Mas sem se limitar a ponto de só jogar em um time. Jogar em todos, se puder.

Uma coisa não se pode fazer: jogar no time dos donos. Eles, aliás, não jogam e sim dirigem.

E agora me diz: e quando um time ou um país ficar bem dopado pelas palavras de ordem dos donos (nazismo, fascismo, stalinismo, americanismo, país grande...)? Que fazer? Infelizmente a gente vai ter que lutar contra este time de homens como nós, vamos ter que inclusive romper com milhares de nós.

Olha, vivendo aqui, nesta riqueza de país potência mundial, estou vendo a identidade que existe entre nossos povos. Inclusive já consigo me emputecer com as desgraças do homem americano. Já consigo distinguir Roquifeller Corporation de John ou Peter ou Paul, enfim de 220 milhões de fudidos que nem nós. Aliás, você já deve ter lido que tem mais de 30 milhões de subnutrido aqui, não? Que andam inclusive tendo que apelar para comida de cachorro pra poder comer uma vez por dia. Deu na TV. E os hospitais que atendem ao povo americano, que são iguais ou piores que os do INPS da gameleira?

Mais: o povo americano não sabe rigorosamente nada sobre o que acontece fora dos EUA. Há um cordão sanitário dos donos do jogo que permite uma visão deformada só do que acontece internamente. Imagina um brasileiro que tivesse sua informação cuidada apenas pela AERP. Pois assim é o americano, totalmente pasteurizado pela imensa, particular, competente AERPUSA.

Este país é um dos mais corruptos do mundo desde que nasceu. Mas o povo só está começando a ser informado disto agora: 200 anos depois da independência!

Me identifico tremendamente com o povo americano, como me identifico com o povo brasileiro, chileno, russo ou vietnamita. Mas, se qualquer um destes povos ficar cego e passar a obedecer ordens dos donos, eu tô do lado de lá contra o de cá.

Este tipo de papo pode dar chances a que um babaca chegue e pergunte: peraí, se houver uma guerra entre Brasil e a Rússia, com quem você ficaria? Se lembra dessa pergunta que fizeram ao Luís Carlos Prestes?

Ô pô! Então me responde agora. Se Hitler tivesse sido brasileiro você lutaria de que lado, do Brasil nazista?

Quero dizer que não concordo quando você diz que manda calhamaços cheios de lamúrias imbecis. Nosso problema, mano, é que somos muito mineiros conosco. Mineiros na pior coisa que tem em Minas, que é justamente (eu sei, sou daí) esta auto-repressão luterana calvinista. Aquela que faz a gente achar que é o responsável direto pela morte de Jesus e aí só se redime se sofrer as chagas nas mãos e nos pés.

Fora, Bruxa! Somos alegres, explosivos, vitais, engraçados por dentro. Mas nos reprimimos na hora de comunicar.

Abração do internacional Henfil, o brasileiro.” New York, 22 de Julho de 1974




quinta-feira, 14 de abril de 2011

DECISÕES INVISÍVEIS

Ninguém está te olhando, ninguém esta te patrulhando, ninguém está te cobrando...

Mas, ser humano que você é, você opta, opta pelo correto, opta pelo certo. Pois você pensa, pensa por si próprio, e sabe o que está certo, e sabe o que não fará mal a ninguém no seu íntimo você sabe. Você sabe apesar de toda a ditadura de iformação, você sabe...e em você começa a libertação, a libertação de posturas impostas por almas tacanhas que pensam apenas na economia e apenas visam lucros.

Talvez não exista outra vida, talvez não exista mais tempo, talvez esse seja o momento. Seja o momento de você escolher dizendo não às injustiças, não aceitando engolir goela abaixo nenhum tipo de barbaridade.

Direita e esquerda são apenas indicação de lado, não formas de pensar. É chegado o tempo de pensar na nossa saúde, no nosso vizinho, no nosso bairro, e assim aos poucos iniciar uma revolução planetária e silenciosa. Senão agora, quando? Amanhã? Talvez hoje seja o amanhã...